Sobre acolhimento e saúde mental dos jovens, ou 13 reasons why - parte 3

20.04.2017

Queridos todos, existe uma diferença ENORME entre se posicionar enquanto profissional de saúde mental contra um seriado que pode aumentar a probabilidade de tentativas de suicídio (já falei sobre isso, vejam posts anteriores) e gerar pânico na população com notícias fakes, exageros ou "endemonizar" adolescentes, ações e etc.


Se os adolescentes praticam atos que podem ser prejudiciais a si mesmos (quaisquer atos, desde cabular aula até se machucar) o fazem porque é o que conseguem fazer naquele momento com os recursos que têm para lidar com algo que estão passando. 

 

Nosso papel, como profissionais de saúde mental e familiares, deve ser ACOLHER, EMPATIZAR e VALORIZAR (no sentido de reconhecer) a dificuldade do outro, além de refletir e oferecer, JUNTO com o jovem, outras opções para lidar com os problemas. É necessário DAR APOIO. De críticas, regras e broncas eles já estão cansados e isso não tem sido suficiente para reverter suas dores ou suas ações. 

 

Mostrar caminhos e estabelecer limites não precisa ser na base da humilhação e coerção (que, infelizmente, foi a forma que muitos aprenderam e foram criados).

 

 

 

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Pequenas SUGESTÕES para estabelecer um clima de confiança e comunicação positiva com jovens:
 

- Preste atenção nos comportamentos e atitudes positivas do jovem e o elogie por isso. Sempre, todos os dias, várias vezes! Nosso olhar está tão voltado para o "errado" que deixamos de notar as pequenas coisas boas cotidianas. Pode ser tirar a mesa do café, arrumar a própria cama, sair no horário para a aula, te dar um bom dia com sorriso, ter ajudado em pequenas coisas, etc. Elogiar fortalece esses comportamentos (ainda que você ache que eles são obrigações básicas).

 

- Construa momentos em Família sistematicamente. Pode ser o café da manhã (ou outra refeição) juntos, na qual todos podem falar sobre seu dia, seus desejos e dificuldades [sem eletrônicos na mesa ou sala!]. Se no início for difícil, construa um jogo de "perguntas e respostas" para quebrar o gelo inicialmente. Essas coisas levam tempo, mas são essenciais.

 

- Apesar de todas as regras e limites, VALORIZE e apoie quando um jovem te conta algo difícil ou proibido. É importante estabelecer confiança na relação familiar. Esse pode ser um momento para, primeiro, elogiar a coragem e confiança dele te contar algo e, depois, de forma calma, falar das consequências positivas e negativas que esse algo tem. 

 

 - Façam coisas juntos! Pode ser ir ao cinema, sair pra comer, passear no parque, etc. Tempo juntos é essencial para relações saudáveis. 

 

- Busque, VOCÊ, orientação profissional. Psicólogos devem ser acessados TAMBÉM para orientação e prevenção. Nós lidamos com qualidade de saúde, e não apenas doenças.

 

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SINAIS de que o jovem precisa de apoio (primeiro familiar e em paralelo profissional):
 

- jovem abandona atividades que sempre gostou de fazer (e não se engaja em outras atividades)

 

- mudanças drásticas de humor ou comportamento

 

- humor sempre irritado ou triste

 

- se engajar em comportamentos de risco (uso de drogas, brincadeiras perigosas, brigas frequentes, etc)

 

- se deprecia, diz que não serve pra nada, que era melhor não estar ali ou ter nascido

 

- apresenta falas e comportamentos de desesperança (nada que eu digo ou faço serve pra nada ou muda x)

 

- passa a maior parte do tempo isolado, sem querer falar com família ou amigos (ou não tem amigos)

 

Essas listas NÃO substituem apoio profissional especializado e nem se propõem a isso, mas podem contribuir para a reflexão da família para a busca de orientação profissional e, principalmente, da necessidade do investimento (tempo, energia, recursos) na construção de relações familiares saudáveis.

 

Com carinho,
Larissa Zeggio

 

 

 

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